Rendimento

Força e agilidade no handebol

Análise da força explosiva e agilidade de adolescentes praticantes de handebol
Titulo resumido: força e agilidade no handebol
Marcelo Cozzensa da Silva, Eduardo Lucia Caputo¹ , Wilmar Esperança Pereira, Paulo Vicente B. de B. Correia, Vinicius Pereira Vaz¹,

Resumo: O objetivo do estudo foi avaliar a força explosiva de membros superiores e inferiores e a agilidade de adolescentes de ambos os sexos praticantes de handebol de uma escola privada da cidade de Pelotas. Para isso foram avaliados 14 meninos e 27 meninas, com média de idade de 13,1 anos. Foram verificadas diferenças estatística entre os sexos em relação a todas as capacidades físicas testadas: força de membros superiores (p<0,001), força de membros inferiores (p<0,001) e agilidade (p<0,001). Baseado nos resultados é possível concluir que os meninos possuem níveis mais elevados de agilidade e força explosiva de membros superiores e inferiores quando comparados às meninas. Os achados do estudo devem ser utilizados com cautela devido ao número reduzido de alunos pesquisados e a característica da escola (particular) estudada.
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A Relação da Aprendizagem Motora com o Desporto de Rendimento Futsal

Tharcísio Anchieta

"A criança deve ser trabalhada por completo, pois quanto maior for o número de experiências motoras vividas, maiores serão as respostas quando o acervo-motor estiver totalmente formado" (APOLO, 2004, p. 9). "O exercício de uma seqüência de movimentos melhora a coordenação e leva à habilidade (motricidade fina) e agilidade (motricidade global)" (WEINECK 2000, p.46, apud HOLLMANN;HETTINGER, 1980, p. 11).

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Compreendendo a Ginástica Acrobática

COMPREENDENDO A GINÁSTICA ACROBÁTICA: CARACTERÍSTICAS HISTÓRICAS E TÉCNICAS DA MODALIDADE

Profa. Dnda. Michele Viviene Carbinatto
Universidade de São Paulo
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Profa. Mariana Pedro Winterstein
Profa. Marcela Lupo Alasmar
Universidade Metodista de Piracicaba


Resumo: A proposta deste trabalho é de pesquisar, apresentar e demonstrar as características da Ginástica Acrobática aos que desconhecem este esporte, com a intensão de popularizá-la e exemplificá-la de um modo que ela seja melhor compreendida, divulgada e praticada.  Através de pesquisas bibliográficas, consultas no código de pontuação da Federação Internacional de Ginástica (FIG) e entrevistas com técnicos e atletas, buscamos compreender inicialmente o histórico dessa modalidade no mundo e no Brasil, comentando suas características, apontando sua origem, sua história e a repercussão da Ginástica Acrobática dentro de nosso país. Posteriormente enfocamos nossa pesquisa nas características de competição, explicando a divisão de conjuntos, o perfil físico dos atletas e relacionando os exercícios estáticos com os exercícios dinâmicos. Comentaremos as exigências e regras da Ginástica Acrobática de competição e como se dá a sua arbitragem e pontuação. Procuramos trazer um conhecimento sobre esta modalidade, que futuramente possa se tornar um esporte olímpico.
 

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Comportamentos de liderança preferidos por futebolistas de elevado nível competitivo da cidade de Maputo

 

 

António Manuel Fonseca1, Faruk Takidir2 e Rui Albasini2

1Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Portugal; 2Faculdade de Ciências da Educação Física e Desporto da Universidade Pedagógica de Maputo, Moçambique

 

RESUMO

Nas duas últimas décadas, os comportamentos de liderança preferidos pelos atletas têm sido extensamente investigados em diversos países e desportos. Em Moçambique, no entanto, até ao momento, nenhum estudo foi desenvolvido sobre este assunto. Nesse sentido, decidimos interrogar 37 futebolistas do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 18 e os 32 anos, de duas das 10 equipas participantes no principal campeonato de futebol da região de Maputo (que integra as equipas mais representativas de Moçambique), sobre os comportamentos de liderança que preferiam que os seus treinadores tivessem durante os seus processos de treino. Para a avaliação das suas preferências foi utilizada uma versão traduzida e adaptada da Leadership Scale for Sports (LSS). A análise dos resultados revelou que enquanto os comportamentos indicados pelos atletas como mais preferidos foram os relacionados com o Treino e Instrução, seguidos pelos relativos ao Reforço e ao Suporte Social, os comportamentos relativos às tomadas de decisão, particularmente os Autocráticos, foram indicados como sendo os menos preferidos, o que, em termos gerais, é convergente com o verificado noutros estudos descritos na literatura.

 

INTRODUÇÃO

Um dos modelos teóricos relacionados com a liderança em contextos desportivos mais populares é o Modelo Multidimensional da Liderança, elaborado por Chelladurai e colaboradores (Chelladurai, 1978; Chelladurai & Carron, 1978) para explicar como os comportamentos dos treinadores, em interacção com as características situacionais e dos seus atletas, podem interferir ao nível da satisfação e do rendimento atingido pelas suas equipas.

Em nossa opinião, uma das razões para a sua popularidade reside no facto de os seus autores se terem preocupado igualmente em desenvolver um instrumento a partir do qual ele pudesse ser testado com diferentes indivíduos e em diferentes contextos.

Efectivamente, a Leadership Scale for Sports (LSS), desenvolvida por Chelladurai e colaboradores (Chelladurai, 1978; Chelladurai & Saleh, 1978, 1980), desde logo foi adoptada pelos investigadores desta área, tendo-se tornado, ao longo dos anos, como um dos instrumentos mais utilizados para a avaliação dos comportamentos dos treinadores. Segundo os seus autores, a LSS pode ser utilizada não só para caracterizar os comportamentos efectivamente produzidos pelos treinadores (tanto segundo a perspectiva dos atletas como dos treinadores) mas também para os atletas indicarem os comportamentos que preferem que os seus treinadores tenham.

Daí que, nas duas últimas décadas, os comportamentos de liderança preferidos pelos atletas tenham sido extensamente investigados em diversos países e modalidades desportivas a partir do recurso à LSS (ver Chelladurai, 1993), permitindo a constituição de um conjunto de conhecimentos extremamente útil no que concerne à definição das melhores estratégias a seguir para a obtenção dos mais elevados índices de rendimento e satisfação dos elementos de uma equipa.

No entanto, aqueles estudos, para além de um ou outro realizado no continente asiático, têm sido fundamentalmente desenvolvidos na América do Norte e na Europa (ver Chelladurai, 1993). Assim sendo, decidimos realizar um estudo com atletas moçambicanos, no sentido de investigar até que ponto as suas preferências relativamente aos comportamentos dos seus treinadores convergiriam com os resultados encontrados nos estudos descritos na literatura.

METODOLOGIA

Amostra

Participaram neste estudo 37 futebolistas do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 18 e os 32 anos, de duas das 10 equipas participantes no principal campeonato de futebol da região de Maputo. De referir que o campeonato do Maputo integra as equipas mais representativas de Moçambique.

Instrumento e procedimentos

Para a avaliação dos comportamentos de liderança preferidos pelos atletas foi utilizada uma versão traduzida e adaptada da Leadership Scale for Sports (LSS). A LSS é constituída por uma lista de 40 itens, correspondentes a cinco dimensões de comportamentos de liderança (Treino e Instrução, Suporte Social, Reforço, Democrática e Autocrática). Os inquiridos indicam a frequência de ocorrência de cada um dos 40 comportamentos numa escala tipo Likert de 5 pontos (de 1=raramente a 5=sempre). A média dos resultados dos itens de cada dimensão corresponde ao valor de cada dimensão e ao respectivo comportamento

RESULTADOS

Quadro 1. Preferências dos atletas relativamente aos comportamentos de liderança dos seus treinadores. Média e hierarquia dos valores de cada dimensão, em função do tipo de comportamentos.

Comportamentos de Interacção

Comportamentos de Decisão

Treino e Instrução

Reforço

Suporte Social

Autocráticos

Democráticos

4,78

4,59

3,98

3,34

3,91

 

Ao analisarmos as respostas dos atletas (ver Quadro 1) verificámos que, em termos dos comportamentos de interacção, os indicados por eles como os mais preferidos foram os relativos ao Treino e Instrução, seguidos pelos referentes ao Reforço e, finalmente, ao Suporte Social.

Em relação aos comportamentos de decisão, os valores atribuídos pelos atletas aos comportamentos democráticos foram substancialmente superiores aos atribuídos aos comportamentos autocráticos.

De sublinhar que os valores atribuídos às três dimensões de comportamentos de interacção foram todos eles superiores aos atribuídos às duas dimensões dos comportamentos de tomadas de decisão.

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

Uma das áreas que, nos últimos anos, mais interesse tem gerado no âmbito da psicologia do desporto é a que se relaciona com os comportamentos de liderança, interesse esse perceptível a partir da constatação do elevado número de estudos realizados até ao momento por diversos investigadores (ver Chelladurai, 1993; Serpa, 1990, 1995).

A circunstância de a maioria dos estudos sobre os comportamentos de liderança dos treinadores terem sido realizados na América do Norte e na Europa esteve na origem da realização deste estudo com um grupo de futebolistas moçambicanos de elevado nível competitivo.

Ao analisarmos as suas respostas, verificámos que os comportamentos de liderança que eles destacaram como os mais preferidos foram os relacionados com a dimensão do Treino e Instrução e com o Reforço. Ou seja, os futebolistas indicaram preferir fundamentalmente os comportamentos dos seus treinadores que privilegiavam a transmissão de conhecimentos intimamente relacionados com a aprendizagem ou desenvolvimento de competências específicas da modalidade, e os que se orientavam no sentido do fornecimento de informações positivas relativas ao modo como esses conhecimentos eram apreendidos por eles.

Em nossa opinião, é perfeitamente compreensível que atletas com as características dos por nós interrogados (i.e., adultos de elevado nível competitivo) prefiram comportamentos por parte dos seus treinadores que estejam mais relacionados com o que afinal todos eles perseguem: obtenção de sucesso desportivo. Aliás, também noutros estudos realizados com atletas de elevado nível competitivo foram encontrados resultados semelhantes a estes (e.g., Fonseca & Fonseca, no prelo; Fonseca & Rocha, 1995).

Do mesmo modo, tal como na maioria dos estudos descritos na literatura, também os nossos inquiridos indicaram preferir mais frequentemente comportamentos de interacção com os seus treinadores do que comportamentos de tomadas de decisão.

No que concerne a estes comportamentos, de tomadas de decisão, a análise das respostas dos atletas revelou que eles preferiam os democráticos aos autocráticos, isto é, preferiam ter também uma palavra a dizer relativamente a determinadas decisões relacionadas com a equipa.

Quando analisamos os estudos realizados até ao momento sobre este tema, verificámos que em relação a este ponto os resultados não são conclusivos. Com efeito, enquanto alguns atletas indicaram preferir que os seus treinadores tomassem as decisões de uma forma autocrática (e.g., Serpa, 1990; basquetebolistas seniores), outros destacaram preferir a ocorrência de comportamentos democráticos por parte dos seus treinadores (e.g., Fonseca, Ferreira, Fonseca & Lopes, 1994; Fonseca & Fonseca, 1995; no prelo; Fonseca & Rocha, 1995).

Em relação a este ponto, pensamos, no entanto, que seria importante definir claramente quais os aspectos envolvidos nas decisões a tomar pelos treinadores. Ou seja, em nossa opinião, há imensos aspectos em relação aos quais é perfeitamente natural que o atleta prefira ser ouvido pelo treinador antes de este decidir (e.g., equipamento, folgas) e outros em relação aos quais prefira que a decisão caiba exclusivamente ao treinador (e.g., quem joga, como joga).

Em suma, pareceu evidenciar-se que os futebolistas por nós inquiridos preferiam que os comportamentos dos seus treinadores se orientassem fundamentalmente no sentido da promoção da aprendizagem e desenvolvimento das suas competências para a prática do futebol e que sublinhassem os momentos em que essa aprendizagem e desenvolvimento se processa da forma correcta. Para além disso, os nossos inquiridos pareceram preferir os comportamentos democráticos aos autocráticos. Nesse sentido, os resultados deste estudo são convergentes com os descritos na literatura internacional para atletas de características similares.

 

REFERÊNCIAS

Chelladurai, P. (1978). A contingency model of leadership in athletics. Tese de doutoramento. Universidade de Waterloo, Canada.

Chelladurai, P. (1993). Leadership. In R.Singer, M.Murphey, & L.Tennant (Eds), Handbook of research on sport psychology, (pp.647-671). New York: McMillan Publishing Company.

Chelladurai, P. & Carron, A. (1978). Leadership. Ottawa: Sociology of Sport Monograph series, Canadian Association for Health, Physical Education, and Recreation.

Chelladurai, P. & Saleh, S. (1978). Preferred leadership in sports. Canadian Journal of Applied Sport Sciences, 3, 85-92.

Chelladurai, P. & Saleh, S. (1980). Dimensions of leader behavior in sports: Development of a leadership scale. Journal of Sport Psychology, 2, 34-45.

Fonseca, A.M., Ferreira, F., Fonseca, P. & Lopes, R. (1994). Preferred leadership in portuguese competitive soccer: A study with junior players. Comunicação apresentada no 23rd International Congress of Applied Psychology, Madrid, Espanha.

Fonseca, P.M. & Fonseca, A.M. (1995). Os comportamentos de liderança no futebol junior de competição. Comunicação apresentada no Encontro Internacional de Psicologia Aplicada ao Desporto e à Actividade Física, Universidade do Minho, Braga, Portugal.

Fonseca, P.M. & Fonseca, A.M. (no prelo). Estilos de liderança preferidos e percepcionados na esgrima de alto nível em Portugal: Será a perspectiva dos atletas semelhante à dos seus treinadores? Actas do V Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa. Maputo, Moçambique.

Fonseca, A.M., & Rocha, H. (1995). Perception par les coaches du style de leadership préféré des athlètes. Sport, 38 (3), nº151, 40-45.

Serpa, S. (1990). O treinador como líder. Panorama actual da investigação. Ludens, 12(2), 23-32.

Serpa, S. (1995). La relation coach-athlète: principaux courants de la recherche en Europe. Sport, 38 (3), nº151, 6-17.

 

Ginástica Artística Masculina

GINÁSTICA ARTÍSTICA MASCULINA: CARACTERÍSTICAS E EXIGÊNCIAS ESPECIAIS EM CADA APARELHO

Profa. Dnda. Michele Viviene Carbinatto
Universidade de São Paulo
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Prof. Giuliano Cangiani
Universidade Metodista de Piracicana

Introdução
A ginástica artística é um esporte que encanta, por seus gestos altamente perfeitos e minuciosamente treinado. Trataremos aqui deste esporte nesta perspectiva, ou seja, o das competições esportivas, no qual cada movimento, cada ação deverá seguir padrões e normas técnicas e regrada.
Primeiramente gostaríamos de ressaltar o uso do próprio termo. A ginástica artística fora adotada no Brasil desde sua implantação, por volta de 1824, e em Assembléia no ano de 2004, fora considerada o nome oficial pela Confederação Brasileira de Ginástica. Porém, a Federação Internacional de Ginástica ( FIG), com o objetivo de minimizar confusões no sentido de que a ginástica olímpica poderia ser referida a qualquer ginástica que fosse competida nos Jogos Olímpicos, adotou o termo Ginástica Artística, como aquela que era competida nos aparelhos ( solo, salto, cavalo com alças e paralelas). Encontramos nas literatura brasileira ainda referência e ambos termos, porém utilizaremos nesta monografia o termo oficial da Confederação Brasileira de Ginástica, ou seja, a ginástica artística.
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Estudo exploratório sobre os níveis de coesão percebidos pelos atletas em equipas de basquetebol da cidade de Maputo

 

 

António Manuel Fonseca1, Onofre Lopes2 e Fernando Pinho2

1Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Portugal; 2Faculdade de Ciências da Educação Física e Desporto da Universidade Pedagógica de Maputo, Moçambique

RESUMO

Os níveis de coesão das equipas desportivas constituem-se como um dos factores mais frequentemente associados à sua obtenção de elevados índices de rendimento. Assim sendo, é perfeitamente natural que a investigação sobre esta temática seja uma das que mais interesse tem gerado ao nível da psicologia do desporto. Todavia, apesar desse interesse, não só o conhecimento acerca do modo como aquelas duas variáveis se relacionam não é ainda conclusivo como também, ao nível da literatura em língua portuguesa, os estudos não são ainda abundantes. Desse modo, foi nosso propósito investigar os níveis de coesão de 6 equipas de basquetebol da cidade de Maputo, a partir das respostas dos seus atletas a uma versão traduzida e adaptada do Group Environment Questionnaire (GEQ). Os 68 atletas interrogados pertenciam a 4 equipas jovens (duas de cada sexo, com uma dessas duas a competir ao nível federado e a outra ao nível escolar) e duas seniores (uma do sexo feminino e outra do sexo masculino, ambas a competir a um nível federado). Em termos globais, verificámos que os valores indicados pelos atletas para caracterizar o modo como se sentiam atraídos para as suas equipas foram superiores aos valores por eles indicados para caracterizar o modo como entendiam a dinâmica efectivamente nelas existente, tanto no que concerne à dimensão social como à dimensão da tarefa. Por outro lado, curiosamente, apesar de não serem evidentes grande diferenças entre o modo como, na sua globalidade, se consideravam atraídos pelos aspectos sociais e de realização de tarefas das suas equipas, os atletas percepcionavam as suas equipas mais coesas em termos de realização de tarefas do que em termos sociais. A análise dos resultados permitiu ainda verificar que os níveis de coesão para a tarefa percebidos pelas atletas do sexo feminino nas suas equipas eram ligeiramente inferiores aos percepcionados pelos atletas do sexo masculino nas suas equipas, o que poderá estar de alguma forma relacionado com os normalmente mais reduzidos níveis de rendimento por elas evidenciado. De sublinhar, todavia, que as diferenças entre as respostas, tanto dos atletas do sexo masculino e do sexo feminino como dos atletas mais novos e mais velhos, foram, de um modo geral, suplantadas pelas semelhanças.

INTRODUÇÃO

Se analisarmos tanto as declarações dos agentes desportivos como a literatura específica do desporto, verificamos que os níveis de coesão das equipas desportivas se constituem como um dos factores mais frequentemente associados à sua obtenção de elevados índices de rendimento.

Assim sendo, seria perfeitamente natural que a investigação sobre esta temática fosse uma das que mais interesse suscitasse ao nível da psicologia do desporto; o que aliás se verifica. Com efeito, fundamentalmente apoiados no trabalho desenvolvido por Albert Carron e seus colaboradores (ver Carron, 1990, 1993), diversos investigadores têm investigado extensamente, em contextos de actividade física e desportiva (e.g., desporto de competição, desporto de recreação; actividade física em geral), não só os níveis de coesão percebidos pelos indivíduos relativamente aos grupos em que estão envolvidos mas também o modo como essas percepções se relacionam com determinados aspectos, como, por exemplo, os seus níveis de rendimento, satisfação ou assiduidade.

No entanto, apesar desse interesse, consubstanciado tal como referimos na realização de numerosos estudos, o conhecimento actualmente existente sobre a dinâmica daquelas relações não é ainda conclusivo, reclamando, por isso mesmo, investigação adicional.

Por outro lado, quando analisamos a literatura relativa a este tema, publicada em língua portuguesa, constatamos que, apesar de nela serem descritos diversos estudos (e.g., Antunes & Cruz, 1997; Fonseca & Fonseca, 1995; Fonseca, Lago & Mota, 1997; Leitão, 1995a, 1995b) o seu número não pode ainda ser considerado elevado, ou mesmo suficiente.

Nesse sentido, foi nosso propósito investigar o modo como um conjunto de atletas moçambicanos de ambos os sexos, com diferentes idades, e competindo a um nível diferenciado, percepcionava os níveis de coesão das suas equipas.

METODOLOGIA

Amostra

A amostra foi constituída por 68 basquetebolistas de 4 equipas jovens (duas de cada sexo, com uma dessas duas a competir ao nível federado e a outra ao nível escolar) e duas seniores (uma do sexo feminino e outra do sexo masculino, ambas a competir a um nível federado).

Instrumento e procedimentos

Para a avaliação das percepções dos atletas relativamente aos níveis de coesão existentes nas suas equipas foi utilizada uma versão traduzida e adaptada do Group Environment Questionnaire (GEQ: Carron, Brawley & Widmeyer, 1985). O GEQ é constituído por 18 afirmações referentes a quatro aspectos relativamente distintos da coesão de um grupo: integração do grupo em relação à tarefa (IG-T; n=5), integração do grupo em relação aos aspectos sociais (IG-S; n=4), atracção individual para o grupo em relação à tarefa (AIG-T; n=4) e atracção individual para o grupo em relação aos aspectos sociais (AIG-S; n=5). Os inquiridos, para responderem ao que lhes é requerido, indicam o seu nível de concordância, ou discordância, em relação a cada uma das afirmações, numa escala bipolar de Likert de 9 pontos (de 1=discordo completamente a 9=concordo completamente).

RESULTADOS

A análise dos resultados (ver Quadro 1) evidenciou que, na generalidade, os valores que os atletas das diferentes equipas indicaram para caracterizar o modo como se sentiam atraídos para as suas equipas foram superiores aos valores que indicaram para caracterizar os níveis de integração dessas mesmas equipas, tanto no que concerne aos aspectos relacionados com a dimensão da tarefa como com os relacionados com a dimensão social. As duas únicas excepções situaram-se ao nível das respostas das atletas séniores e juvenis respeitantes à dimensão da tarefa (i.e., os valores relativos à atracção individual para o grupo foram mais elevados do que os relativos à integração do grupo).

Ao analisarmos isoladamente os valores relativos à integração das equipas, foi possível verificar, que, em todas elas, os atletas indicaram valores superiores para a dimensão da tarefa, comparativamente à dimensão social. De salientar, todavia, que as diferenças entre aqueles valores não atingiram, em nenhum dos casos, significado estatístico. Por outro lado, no que se refere aos valores indicados pelos atletas para caracterizar o modo como se sentiam orientados para as suas equipas não se verificou o mesmo, isto é, nalguns casos os valores mais elevados foram atribuídos à dimensão da tarefa e noutros à dimensão social.

Quadro 1. Percepções dos inquiridos relativamente aos níveis de coesão existentes nas suas equipas. Média e hierarquia dos valores das respostas.

 

Atracção Individual para o GrupoIntegração do Grupo
 

Tarefa

Social

Tarefa

Social

 MédiaOrdemMédiaOrdemMédiaOrdemMédiaOrdem
Séniores Mas.

6.4

6.5

6.0

5.3

Séniores Fem.

5.8

6.4

6.0

5.3

Juvenis Mas.

7.0

7.0

6.8

5.4

Juvenis Fem.

5.7

7.0

6.4

5.5

Sel.Esc. Mas.

7.8

7.1

6.8

6.2

Sel.Esc. Fem.

7.7

7.5

6.6

6.1

Do mesmo modo, também quando analisámos as respostas dos atletas em função do seu sexo, foi possível verificar que as ligeiras diferenças detectadas entre eles foram mais consistentes ao nível das dimensões relativas à tarefa do que das referentes aos aspectos sociais. Isto é, ao compararmos as respostas dos atletas das equipas com idades e/ou estatutos semelhantes (i.e., Sén.Masc. vs Sén.Fem., Juv.Mas. vs Juv.Fem, Sel.Esc.Masc. vs Sel.Esc.Fem.) constatámos que enquanto, com uma única excepção (i.e., Sén.Masc. vs Sén.Fem, nas dimensões relacionadas com a Integração da Equipa), os rapazes/homens atribuíram sempre valores superiores aos das raparigas/mulheres para as dimensões relacionadas com a tarefa, o mesmo não se passou com as dimensões relacionadas com os aspectos sociais. É importante, porém, referir que as diferenças entre os valores atribuídos pelos atletas dos dois sexos às diferentes dimensões em nenhum dos casos foram estatisticamente significativas.

Finalmente, quando comparámos as respostas dos atletas mais novos com as dos atletas mais velhos foi evidente que, apesar de os primeiros terem indicado valores superiores aos segundos para todas as dimensões, tanto uns como outros indicaram valores mais elevados para as dimensões relativas à sua atracção para o grupo, comparativamente às respeitantes à integração das equipas, e para as relacionadas com os aspectos da tarefa, comparativamente às relacionadas com os aspectos sociais.

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

O estudo da dinâmica dos grupos e das suas relações, por exemplo, com os níveis de rendimento evidenciados por esses mesmos grupos, ou com a satisfação, aderência ou empenhamento dos seus elementos relativamente às actividades realizadas no âmbito desses grupos, tem sido extensamente realizado por diversos investigadores e em diferentes contextos (ver Carron, 1990, 1993; Carron & Spink, 1993, 1995; Carron, Widmeyer & Brawley, 1988; Spink & Carron, 1993).

Ao nível da literatura produzida em língua portuguesa, todavia, o número de investigações neste domínio está longe de se constituir como satisfatório, razão porque decidimos efectuar um estudo sobre o modo como um conjunto de atletas moçambicanos percepcionava os níveis de coesão verificados nas suas equipas.

Ao analisarmos as respostas dos atletas inquiridos, verificámos que, de um modo geral, os valores indicados por eles para caracterizar o modo como se sentiam atraídos para as suas equipas foram superiores aos valores indicados para caracterizar o modo como entendiam a dinâmica efectivamente nelas existente, tanto em relação à dimensão social como à dimensão da tarefa, o que é convergente com o descrito na literatura (ver Carron, 1990, 1993; Widmeyer, Carron & Brawley, 1993).

Aliás, parece-nos ser perfeitamente natural que os valores médios relativos aos níveis de integração dos grupos não sejam superiores aos valores médios referentes aos níveis de orientação dos seus elementos para esses mesmos grupos, especialmente se atendermos que ao nível dos grupos ocorrem por vezes determinados fenómenos que levam a que os seus níveis de integração não sejam tão elevados quanto poderia eventualmente esperar-se através da análise individual dos seus elementos.

Por outro lado, curiosamente, apesar de não terem sido evidentes diferenças entre o modo como, na sua globalidade, se consideravam atraídos pelos aspectos sociais e de realização de tarefas das suas equipas, os atletas pareciam percepcionar as suas equipas mais coesas em termos de realização de tarefas do que em termos sociais, o que, apesar de nem sempre ter sido verificado noutros estudos, nos parece relacionar-se perfeitamente com as características dos atletas e grupos estudados (i.e., equipas, integradas em estruturas competitivas organizadas, cujos objectivos passam fundamentalmente pela obtenção de sucesso desportivo).

A análise dos resultados pareceu igualmente sugerir que, na generalidade, as atletas do sexo feminino, comparativamente aos do sexo masculino, não só se percepcionavam como ligeiramente menos atraídas para as suas equipas como também percepcionavam estas como menos integradas.

O facto daquelas diferenças se terem circunscrito essencialmente aos aspectos relativos à tarefa, já que em relação aos aspectos sociais não pareceu verificar-se o mesmo, poderá, eventualmente, querer significar que elas poderão estar relacionadas com os normalmente mais reduzidos níveis de rendimento evidenciados pelo basquetebol feminino. De sublinhar, no entanto, que esta nossa sugestão, atendendo inclusivamente a que a magnitude das diferenças registadas foi bastante diminuta, carece de confirmação em estudos posteriores.

Por outro lado, a comparação das respostas dos atletas mais jovens com as dos mais velhos revelou que os primeiros, de um modo geral, indicaram valores mais elevados do que os segundos para todas as dimensões. De referir, todavia, que esse facto pode estar relacionado com uma tendência dos jovens para extremar mais as suas respostas. Isto é, os adultos, de uma forma geral, costumam ser mais ‘conservadores’ nas suas respostas aos mais diversos aspectos. De resto, tanto os mais novos como os mais velhos indicaram valores mais elevados para as dimensões relativas à sua atracção para o grupo, comparativamente às relativas à integração das equipas, e para as relacionadas com os aspectos da tarefa, comparativamente aos sociais. Nesse sentido, em nossa opinião, as semelhanças entre as suas respostas parecem ter suplantado as diferenças.

De sublinhar, no entanto, que não podemos deixar de destacar que, apesar de termos procedido a algumas análises comparativas entre as respostas de atletas com diferentes idades e sexo, eles se pronunciaram em relação a realidades diferentes (i.e., as suas equipas) não sendo por isso correcto associar exclusivamente as diferenças entre as suas respostas às suas características (i.e., sexo e idade) e ignorar o facto anteriormente referido.

Aliás, importa igualmente ressalvar que este estudo pretendeu constituir-se simplesmente como um primeiro passo no sentido de uma investigação que se pretende intensa e sistemática acerca dos processos relacionais em equipas desportivas em Moçambique, e no âmbito da qual eventuais diferenças entre o modo como atletas com características diferentes entre si percepcionam e contribuem para os níveis de coesão das suas equipas devem ser investigadas.

Em suma, pareceu evidenciar-se deste estudo que os nossos inquiridos se percepcionavam mais atraídos para as suas equipas por aspectos relativos à tarefa do que por aspectos sociais, e que os valores por eles associados às dimensões relativas ao modo como se sentiam atraídos para as suas equipas foram inferiores aos relativos às dimensões respeitantes à sua integração. Para além disso, pareceu igualmente evidente que, apesar da existência de algumas ligeiras diferenças, as diferenças entre as respostas de atletas com diferentes idades e sexo foram suplantadas pelas semelhanças.

REFERÊNCIAS

Antunes, J. & Cruz, J. (1997). Liderança, coesão e satisfação em equipas de basquetebol de alta competição: Um estudo com equipas nacionais. . In J.F. Cruz & A.R. Gomes (Eds), Psicologia aplicada ao desporto e à actividade física: Teoria, investigação e intervenção (pp.367-372). Braga: APPORT-Universidade do Minho.

Carron, A.V. & Spink, K.S. (1993). Team building in an exercise setting. The Sport Psychologist, 7, 8-18.

Carron, A.V. & Spink, K.S. (1995). The group size-cohesion relationship in minimal groups. Small Group Research, 26, 86-105.

Carron, A.V. (1990). The group in sport and physical activity: introduction to the special edition. International Journal of Sport Psychology, 21, 257-263.

Carron, A.V. (1993). Group dinamycs in sport. In S.Serpa, J.Alves, V.Ferreira & A.Paula Brito (eds), Psicologia do Desporto: uma perspectiva integrada. Actas do VIII Congresso Mundial de Psicologia do Desporto (pp.43-64). Lisboa: ISSP, SPPD, UTL-FMH.

Carron, A.V., Brawley, L.R. & Widmeyer, W.N. (1985). The development of an instrument to assess cohesion in sport teams: The Group Environment Questionnaire. Journal of Sport Psychology, 7, 224-266.

Carron, A.V., Spink, K.S. & Prapavessis, H. (1997). Team building and cohesiveness in the sport and exercise setting: Use of indirect interventions. Journal of Applied Sport Psychology, 9(1), 61-72.

Carron, A.V., Widmeyer, W.N. & Brawley, L.R. (1988). Group cohesion and individual adherence to physical activity. Journal of Sport & Exercise Psychology, 10, 127-138.

Fonseca, A.M., Lago, J. & Mota, J. (1997). Estudo inicial sobre as relações entre a assiduidade e as autopercepções físicas e de coesão de grupo em classes de ginástica de academia. Actas da V Conferência Internacional "Avaliação Psicológica: Formas e contextos" & III Mostra de "Provas Psicológicas em Portugal". Braga: APPORT & Universidade do Minho.

Fonseca, P.M. & Fonseca, A.M. (1997). O ambiente de equipa no futebol junior de competição. In J.F. Cruz & A.R. Gomes (Eds), Psicologia aplicada ao desporto e à actividade física: Teoria, investigação e intervenção (pp.367-372). Braga: APPORT-Universidade do Minho.

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